Cientistas + Jornalistas = Divulgação Científica de Qualidade

Por Victor ProençaHoje a sociedade parece ter ampliado seu interesse com o que se faz em Ciência. Dessa forma, torna-se crucial o modo pelo qual ela absorve os resultados da atividade científica e percebe seu impacto, papel desempenhado pelos divulgadores científicos. A popularização da ciência ou divulgação científica pode ser definida como “o uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral”. Ou seja, a divulgação pressupõe a adequação de uma linguagem especializada para uma leiga, visando atingir um público mais amplo. E é exatamente nesse processo que reside o elo mais frágil!

Divulgação CientíficaEm 2008, Fernanda Veneu e colaboradores publicaram o artigo científico intitulado Da fonte ao leitor: a acomodação do discurso científico em jornais da América Latina, cujo objetivo foi analisar como ocorre o processo de acomodação da informação científica fornecida pelas fontes primárias (revistas científicas) em discursos jornalísticos (jornais diários). De grande importância para o contexto atual, os autores puderam observar mudanças significativas do conteúdo original dos textos científicos, incluindo o desaparecimento, aparecimento, ou alterações de informações importantes. Eles observaram, também, mudanças na hierarquização e ênfase das informações, bem como no impacto social que elas podem ter. Esse cenário retratado pelos autores parece ocorrer devido a uma conjunção de fatores, como a deficiente formação dos profissionais responsáveis pela divulgação da Ciência no Brasil. Para Manuel Calvo Hernando, ainda há dúvidas quanto à formação dos divulgadores científicos, visto que “os jornalistas deveriam ter uma formação científica e os cientistas uma formação jornalística”. Ainda, outro fator que atrapalha uma divulgação científica de qualidade é a falta de diálogo entre cientistas e jornalistas que atualmente predomina em nossa sociedade.

As diferentes mídias deveriam ser encaradas como parceiras da Ciência, e não adversárias. Nesse sentido, é preciso que relações positivas sejam fortalecidas, pois elas são vitais para a sociedade, contribuindo para a alfabetização científica e inclusão de segmentos da sociedade no debate sobre Ciência, Tecnologia e Inovação, pois, segundo Hernando, “se queremos realmente uma sociedade democrática, é preciso que todos entendam a ciência”.

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Victor Proença é Biomédico, Doutor e Pós-Doutor em Fisio-Farmacologia.

É sócio fundador da empresa Suporte Ciência – Consultoria e Comunicação em Saúde, e também Professor Universitário.

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