Para deixar a sua boca sã, passe no mercado e leve uma romã!

Por Victor Proença

Os antibióticos foram considerados “remédios milagrosos” quando se tornaram disponíveis há aproximadamente 50 anos, mas sua grande popularidade rapidamente levou ao uso exagerado dessas substâncias.

É exatamente esse uso indiscriminado que fez com que as bactérias se adaptassem a essas novas condições, desenvolvendo mecanismos de defesa aos agentes antibacterianos, culminando com o aparecimento do fenômeno denominado resistência bacteriana adquirida, que é observado em praticamente todas as espécies de bactérias nos dias atuais.

Hoje sabemos que o que muitas pessoas acreditavam ser a solução para todos os problemas da humanidade, na verdade acabou se tornando um grande pesadelo para os terapeutas, que estão constantemente à procura de novas substâncias com menos efeitos colaterais e que sejam mais eficazes.

Nesse sentido, a natureza sempre se mostrou uma ótima fonte de substâncias efetivas contra inúmeros micro-organismos causadores de doenças. E não é preciso entrar em uma selva para encontrar substâncias naturais que apresentem atividade antibiótica, basta ir à feira ou ao supermercado!

Antibióticos Naturais

É isso aí! Diversos alimentos amplamente disponíveis em nosso país apresentam substâncias com atividade antibiótica comprovada cientificamente.

Para podermos conhecer de perto esses alimentos, nas próximas semanas vamos colocar à mesa esses Antibióticos Naturais, começando pela ROMÃ.

Romã (Punica granatum L.)

Romã antibiótico

A romãzeira é um arbusto nativo da Índia, que já vem sendo cultivado há muito tempo no Brasil. Ele origina frutos esféricos, com muitas sementes envoltas por uma cobertura polposa contendo um suco avermelhado.

Extratos de todas as partes da fruta parecem apresentar propriedades terapêuticas, como atividade antioxidante, anticarcinogênica, anti-inflamatória etc. Os principais constituintes do suco da romã são: antocianinas, glicose, ácido ascórbico, ácido elágico, ácido gálico, ácido cafeico, catequina, galato de epigalocatequina, quercetina, diversos minerais (particularmente ferro) e aminoácidos.

Diversas aplicações clínicas da romã vêm sendo estudadas, dentre as principais patologias podemos incluir: câncer de próstata e outros tipos de câncer; aterosclerose; hiperlipidemia; hipertensão; diabetes; disfunção erétil e infertilidade, entre outras.

Especificamente em relação às infecções por bactérias, os únicos estudos em humanos avaliando as propriedades antibacterianas do extrato de romã focaram em bactérias orais. De qualquer modo, diversos estudos in vitro demonstraram sua atividade antibactericida contra vários organismos altamente patogênicos e algumas vezes resistentes aos antibióticos convencionais, como o Staphylococcus aureus e Escherichia coli.

A romã pode ser utilizada in natura ou como suco (1 unidade ou 100 ml por dia), ou também como enxaguante bucal ou na forma de gel em condições odontológicas.

Para acabar com a dor de dente, é só você se lembrar desse ditado: Para deixar a sua boca sã, passe no mercado e leve uma romã!

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Victor Proença é Biomédico, Doutor e Pós-Doutor em Fisio-Farmacologia.

É sócio fundador da empresa Suporte Ciência – Consultoria e Comunicação em Saúde, e também Professor Universitário.

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