Alimentação Saudável e o Comer Consciente

Por Valéria Bordin

A busca por uma alimentação saudável é pauta recorrente nos veículos de comunicação e nas conversas do cotidiano. Informações estão disponíveis em toda parte, essa não é a questão principal. Somos bombardeados por diferentes veículos de comunicação, como TV, revistas especializadas, Internet sem citar outros que trazem as mais diversas informações girando em torno dos alimentos e nos colocando em dúvida sobre qual a melhor prática a seguir.

De seguro e respaldado cientificamente, temos as Diretrizes para uma alimentação saudável. Uma delas é o Guia Alimentar para a população brasileira que tem por base as estratégias globais, mas com foco no hábito e cultura local. São 7 as diretrizes principais presentes neste documento que destaco a seguir:

  1. Alimentação variada, fracionada em 5 a 6 refeições diárias;
  2. Incentivar o consumo de carboidratos preferencialmente os integrais;
  3. Consumir mais frutas e verduras (3 porções para cada);
  4. Reforçar o consumo de leguminosas (feijão, grão de bico…). Combinação perfeita = arroz + feijão;
  5. Incentivar o consumo de leite e derivados como fonte de Cálcio e proteínas com teores de gordura reduzidos, bem como outras fontes de proteínas de Alto Valor Biológico, reduzindo o consumo de carnes gordas;
  6. Diminuir o consumo de gorduras, açucares e sal;
  7. Beber mais água (6 a 8 copos), em troca de bebidas açucaradas.

Outra maneira de destacar os principais conceitos para uma alimentação saudável qualitativa e quantitativamente é o uso da Pirâmide Alimentar. Dividindo os alimentos em grupos, destaca na base aqueles que devem ser consumidos em maior quantidade como os Carboidratos que são nossa principal fonte de energia (5 a 9 porções), seguido pelas frutas e verduras (mínimo de 3 porções cada) no andar seguinte. No terceiro patamar temos nossas fontes proteicas, com um grupo para os leites e derivados (3 porções), outro para as carnes e ovos (1 a 2 porções) e um último para as leguminosas (1 porção). O topo está reservado para alimentos de alta concentração energética e que devem ser consumidos em menor quantidade (1 a 2 porções cada) como as gorduras e os açúcares.

piramide alimentar

Novidade? Nenhuma.  Todos sabem disso, essa informação está na ponta da língua. Salvo um pequeno ajuste aqui…outro lá, ninguém desconhece o que é preciso para melhorar sua alimentação.

Mas então porque comer ficou tão complicado?

Um ponto importante que pode tentar responder a essa pergunta  é observar com outros olhos o mundo que vivemos hoje. Nossa sociedade atual vive em um ambiente que podemos chamar de tóxico. É o mundo do SUPER. Temos os super processados e industrializados que nos chamam a atenção logo que entramos em um supermercado. Tudo pronto a uma esticada das mãos. Entretanto são alimentos em sua grande maioria com alta concentração energética, ricos em sódio, conservantes e estabilizantes que vão minando nosso organismo diariamente. Há também os Super açucarados e aqui destaco especialmente as bebidas. Refrigerantes, sucos prontos, saches em pó, que não oferecem nenhum beneficio à nossa saúde, além de uma super dose de glicose (devido a sua alta concentração de açúcar) e compostos químicos dos mais diversos tipos. Por fim temos as Super porções que nos incentivam a consumir mais e mais. Achamos que o custo beneficio de ingerir 500 calorias a mais em uma mega porção de um fast food é super satisfatório e que saímos ganhando. Será? Para um lucro financeiro imediato até pode ser, mas para nossa saúde e para nosso “bolso” em longo prazo, certamente não.

super porções

Associado a essas condições temos o stress do dia a dia, os sentimentos diversos que nos assolam como a ansiedade, medo, raiva e impotência que acabamos tentado aplacar com a comida. Em um primeiro momento, a escolha pode fazer sentido e nos trazer um conforto imediato, mas a busca constante por esse recurso, além de riscos para saúde nos traz mais um sentimento para nossa lista, a culpa. E então nosso ciclo recomeça. Estou ansioso, como mesmo sem fome para tentar aplacar essa sensação, termino de comer e a sensação continua por lá. Então além da ansiedade, agora me sinto também culpado por ter comido o que julgava que não dever, e o ciclo ser refaz. Aqui vale o alerta, emoção assumida não vira comida.

Além dos sentimentos, há também os hábitos, crenças e o ambiente social em que vivemos que colaboram para que a alimentação torne-se cada vez mais difícil. Querer mudar sua atitude alimentar vivendo em um ambiente social pouco saudável quer no trabalho ou em casa, requer ainda mais disciplina e motivação. É mais um obstáculo a vencer.

Essas são apenas algumas supostas repostas a pergunta: Por que comer ficou tão complicado? Na base dessa resposta temos o nosso Desconectar da alimentação. Hoje comemos de maneira inconsciente. Não prestamos atenção no QUE < COMO < QUANDO E QUANTO comemos. Nossos sinais internos de fome e saciedade foram esquecidos e desrespeitados. Não sabemos mais mastigar os alimentos e saboreá-los. Comer envolve todos os sentidos, precisamos resgatar o prazer da comida nos conectando novamente com ela. Desde o planejamento até a nossa saciedade pós-refeição, temos que estar presentes e conscientes, evitando que estímulos externos interfiram nesse momento.

Acredito que associando melhores escolhas alimentares ao comer consciente, teremos a oportunidade de aproveitar tudo com intensidade e equilíbrio, alcançando a tão falada Alimentação Saudável.

comer saudável

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Valéria Bordin é Nutricionista e atua na área clínica (consultório) e em Programas de Valorização e Qualidade de vida na área corporativa. Ministra cursos e palestras voltados a conscientização de um padrão alimentar mais saudável (veja mais em: http://ocomerconsciente.blogspot.com.br).

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