Doença celíaca – onde o glúten pode causar muito mais do que problemas intestinais

Por Alessandra L. Soares

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Quem é celíaco sabe que, a partir do momento em que recebeu o diagnóstico da doença, foi orientado a excluir o glúten de sua alimentação definitivamente. Esse é um momento de muitas dúvidas e mudanças, de novos hábitos e de novas descobertas de alimentos que substituam as fontes dele.

A doença celíaca é caracterizada por uma intolerância permanente ao glúten, pela atrofia total ou parcial da mucosa do intestino delgado proximal e pela má absorção de alimentos, nos indivíduos que são geneticamente suscetíveis.

Ela pode ser apresentada sob três formas: clássica, não clássica e assintomática.

Clássica: ocorre nos primeiros anos de vida (entre 6 meses e 24 meses de idade) principalmente com manifestações gastrointestinais, iniciando após a introdução do glúten na dieta.  São característicos sintomas como distensão abdominal, diarreia crônica, vômitos, anorexia, déficit de crescimento, irritabilidade, diminuição do tecido celular subcutâneo e atrofia da musculatura glútea.

Não clássica: ocorre mais tardiamente e os sintomas são mais isolados como: constipação intestinal, osteoporose, baixa estatura, hipoplasia do esmalte dentário, artralgia ou artrite, esterilidade e epilepsia associada à calcificação intracraniana, anemia por deficiência de ferro refratária à ferroterapia oral.

Assintomática: ocorre especialmente entre familiares de primeiro grau de pacientes celíacos, o que indica importante participação de fatores genéticos na origem da doença.

Sabe-se que a forma clássica da doença celíaca, na qual os sintomas gastrointestinais são mais intensos, é considerada apenas como a parte que podemos enxergar de um “iceberg”. Já as demais formas, que não são diagnosticadas, equivalem a todo restante, ou seja, a parte oculta deste.

O diagnóstico é feito através de exame clínico, biópsia do intestino e exames como anticorpos antigliadina,  antiendomíseo, e antitransglutaminase.

O tratamento da doença celíaca se faz com a exclusão do glúten, proteína presente no trigo, na cevada, no centeio, no malte e na aveia. Mas é preciso principalmente que haja a inclusão de alimentos que substituam estes em qualidade nutricional como:

– Farinha de arroz, de mandioca, de milho, de coco, fubá, polvilho, tapioca.

– Batata, mandioca, cará, batata barôa, inhame, chuchu, cenoura, etc.

– Arroz, milho, quinoa.

– Feijão, grão de bico, ervilha, lentilha, etc.

 – Frutas e verduras em geral.

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A legislação brasileira, através da Lei nº10. 674 protege os direitos dos celíacos. Assim, os rótulos de todos os alimentos industrializados, precisam descrever nas embalagens a informação, “CONTÉM GLÚTEN” ou “NÃO CONTÉM GLÚTEN”. Muitas vezes o alimento é livre de glúten, porém pode ocorrer uma contaminação na armazenagem, no transporte, na fabricação, durante a plantação e/ou colheita, ou na embalagem. Mesmo assim, a regra é que o rótulo do alimento precisa conter as informações de forma clara, precisa e legível sobre todos os seus componentes.

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Além de todos os cuidados, o mais importante é que seja feito um acompanhamento nutricional ao portador de doença celíaca, para uma orientação completa quanto à substituição dos alimentos, de acordo com sua individualidade bioquímica, e sobre os cuidados com fontes ocultas do glúten. Também é fundamental uma avaliação nutricional quanto à carência de vitaminas e minerais que podem ser causadas pela doença celíaca ou por doenças associadas.

Referências

http://www.pediatriasaopaulo.usp.br/upload/pdf/1189.pdf

http://www.scielo.br/pdf/jped/v77n2/v77n2a14.pdf

http://www.acelbramg.com.br/?q=book/export/html/3

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Alessandra Lopes Soares é Nutricionista Clínica e Pós-Graduanda em Nutrição Clínica Funcional.

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